quinta-feira, março 30, 2017

NOITE

A tarde desfalece em sombras
E as horas galopam
No avanço inexorável dos instantes.
Um pássaro voa alto
Riscando de luz o céu escurecido.

Ouve-se um canto murmurado
E as palavras confundem-se
Com o rumor do mar.
O silêncio desce como um esquecimento
E fica suspenso no vazio do tempo.

O luar cresce despertando a noite
Que teima em se deitar.
Algas e búzios deslizam pela areia
Buscando a espuma branca
Que os levará de novo ao mar.

E na quietude mansa
Da noite prateada,
A minha mente divaga
E sonha com o amanhecer
De um novo dia.

Imagem da net.


quinta-feira, março 16, 2017

PROCURA



Que posso eu dizer de mim
Se tudo em minha mente
se confunde?
Se num momento me sinto azul
e transparente
e logo de seguida me visto de um cinza
escuro e triste
e num mar de destroços me torturo?

Meu pensamento corre para ti
Levado pelo vento intrépido
Que vai traçando o rumo
Através da noite escura,
Enquanto grito o teu nome
E te procuro.

Imagem obtida na net

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

PERFUME


Não me acordes, amor.
Hoje quero apagar os dias vazios
E amanhã também
E talvez depois,
Quero ficar em mim,
Deitada no chão verde
Que repousa o meu olhar
E deixar que lembranças boas
Me levem pela mão,
E do meu coração escorram
Histórias que vivi
E no tempo se apagaram.
Quero deslizar nelas como um rio
Enquanto renasço
Nas páginas do livro
Que em tempos escrevi
E que leio agora,
Deitada no chão verde
Da memória,
Onde o silêncio reverbera
E um perfume ecoa pelos ares,
Ainda húmido.

Imagem recolhida na net.

sexta-feira, setembro 30, 2016

MEDO

MEDO





Medo de te amar

E esse amor ser imperfeito.

Medo de te olhar

E não sentir um tremor no peito.



Medo ainda de acordar

E ver nos teus olhos

Os teus e os meus sonhos
Inertes e desfeitos.



Imagem colhida na net

quinta-feira, setembro 01, 2016




Há em mim um poço fundo
De águas escuras e quietas,
Onde por vezes me escondo,
Quando a vida me maltrata
E ventos maus me fustigam.

Não há lá rumor de peixes
Nem um só limo à deriva,
Há um silêncio inquietante
Nessas águas tão profundas
Sem qualquer sinal de vida.

Só o meu corpo a boiar
Nesse vazio infecundo,
Na ânsia de me lavar
Da sujidade do mundo.

Imagem colhida na net.

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

QUANDO SAIS A MINHA PORTA

Quando sais a minha porta
Nunca olhas para trás,
P'ra me dizeres, num olhar,
O motivo por que vais
E eu fico só, sem chorar,
Sentindo a casa vazia
E o som da porta a fechar.

E a dor entrou, sorrateira,
Sem permissão nem pudor,
Dia a dia, devagar,
Até não mais encontrar
Espaço p'ra se esconder.
Eu deixei que se espalhasse
Pelos cantos todos da casa
E do meu corpo, também,
Até que ela, confiante,
No meu peito adormeceu.
                   Num rebate de coragem
Com as próprias mãos a agarrei
E num abraço sufocante

Amorosamente a matei.

Imagem recolhida na net,

quarta-feira, outubro 07, 2015

COMO UM MANTO DE RAINHA


TEIA DE LEMBRANÇAS

Nesta teia de lembranças
que me veste, como um manto,
há mil pedaços de ti,
boiando, num mar de pranto.
Há também rumor de beijos,
afagos, risos e vozes
vindos de muito longe,
sussurrando-me ao ouvido
palavras quase esquecidas.

É um manto colorido
com um brilho quente, de fogo.
Mas há nele algumas manchas
que simbolizam ausências,
longas, tristes, doloridas.
Há saudades rendilhadas
nessa teia de lembranças,
tecida por minhas mãos
e pelas memórias, também.

Cobre-me até aos pés
como um manto de rainha.
De fora, a cabeça erguida
e uns olhos escurecidos
só pra ver nascer o sol
dia a dia, sempre à espera
da esperança renascida.

Imagem colhida na net.



Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

Arquivo do blogue